Federal
RESOLUÇÃO Nº 877, DE 15 DE FEVEREIRO DE 2008
O CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA VETERINÁRIA – CFMV, no uso das atribuições que lhe são conferidas pela alínea "i" do Artigo 6° e alínea "f" do Artigo 16 da Lei nº 5.517, de 23 de outubro de 1968, combinado com os Artigos 2°, 4° e 6° inciso VIII, Artigo 13 inciso XXI e Artigo 25 incisos I, II e III da Resolução nº 722, de 16 de agosto de 2002, considerando a necessidade de disciplinar, uniformizar e normatizar procedimentos cirúrgicos em animais de produção e em animais silvestres; considerando que esses procedimentos cirúrgicos devem ser realizados em condições ambientais aceitáveis, com contenção física, anestesia e analgesia adequadas, e técnica operatória que respeite os princípios do pré, trans e pós-operatório; considerando a necessidade de disciplinar, uniformizar e normatizar cirurgias mutilantes em pequenos animais; considerando que as intervenções cirúrgicas ditas mutilantes, em pequenos animais, têm sido realizadas de forma indiscriminada em todo o País e que muitos procedimentos são danosos e desnecessários, o que fere o bem-estar dos animais; considerando que é obrigação do médico-veterinário preservar e promover o bem-estar animal, RESOLVE:
CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 1° Instituir, no âmbito do Conselho Federal de Medicina Veterinária, normas regulatórias que balizem a condução de cirurgias em animais de produção e em animais silvestres; e cirurgias mutilantes em pequenos animais.
Art. 2° As cirurgias devem ser realizadas, preferencialmente, em locais fechados e de uso adequado para esta finalidade.
Art. 3º Todos os procedimentos anestésicos e/ou cirúrgicos devem ser realizados exclusivamente pelo médico-veterinário conforme previsto na Lei nº 5.517/68.
Parágrafo único. Devem ser respeitadas as técnicas de antissepsia nos animais e na equipe cirúrgica, bem como a utilização de material cirúrgico estéril por método químico ou físico.
CAPÍTULO II
DOS PROCEDIMENTOS CIRÚRGICOS EM ANIMAIS DE PRODUÇÃO
Art. 4º Não se recomenda o uso exclusivo de contenção mecânica para qualquer procedimento cirúrgico, devendo-se promover anestesia e analgesia adequadas para cada caso (conforme estabelecido no Anexo 1).
Art. 5° O escopo desta Resolução abrange as cirurgias realizadas em locais onde não haja condições ideais para garantir um ambiente cirúrgico controlado.
§1º Todos os procedimentos devem ser realizados de acordo com o previsto no Anexo 1 desta Resolução, observadas as suas indicações clínicas.
§2° São considerados procedimentos proibidos na prática médico-veterinária: castração utilizando anéis de borracha, caudectomia em ruminantes ou qualquer procedimento sem o respeito às normas de antissepsia, profilaxia, anestesia e analgesia previstos no Anexo 1 desta Resolução.
§3° São considerados procedimentos não recomendáveis na prática médico-veterinária: corte de dentes e caudectomia em suínos neonatos e debicagem em aves.
CAPÍTULO III
DAS CIRURGIAS EM ANIMAIS SILVESTRES
Art. 6° As cirurgias realizadas em animais silvestres devem ser executadas de preferência em salas cirúrgicas ou em ambientes controlados e específicos para este fim, respeitado o disposto nos Artigos 2º e 3º desta Resolução.
Parágrafo único. Fica proibida a realização de cirurgias consideradas mutilantes, tais como: amputação de artelhos e amputação parcial ou total das asas conduzidas, com a finalidade de marcação ou que visem impedir o comportamento natural da espécie.
CAPÍTULO IV
CIRURGIAS ESTÉTICAS MUTILANTES EM PEQUENOS ANIMAIS
Art. 7° Ficam proibidas as cirurgias consideradas desnecessárias ou que possam impedir a capacidade de expressão do comportamento natural da espécie, sendo permitidas apenas as cirurgias que atendam as indicações clínicas.
§1° São considerados procedimentos proibidos na prática médico-veterinária: conchectomia e cordectomia em cães e, onicectomia em felinos.
§2° A caudectomia é considerada um procedimento cirúrgico não recomendável na prática médico-veterinária.
Art. 8° Todos os procedimentos cirúrgicos devem ser realizados respeitando o previsto nos Artigos 2º e 3º desta Resolução.
CAPÍTULO V
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 9° Os casos omissos serão avaliados pela Comissão de Ética, Bioética e Bem-Estar Animal (CEBEA) e submetidos à apreciação do Plenário do CFMV.
| Art. 10. Esta Resolução entra em vigor na data da sua publicação no DOU, revogadas as disposições em contrário. Méd.Vet. Benedito Fortes de Arruda | Méd.Vet. Eduardo Luiz Silva Costa |
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| Presidente | Secretário Geral |
| CRMV-GO Nº 0272 | CRMV-SE Nº 0037 |
| Anexo 1: Normas para procedimentos cirúrgicos em animais de produção. |
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| Cirurgia | Espécie | Recomendação | Normas Obrigatórias* |
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| Orquiectomia | Ruminantes e suínos | Realizar em animais jovens. Utilizar antibióticos e analgésicos profiláticos. | Utilização de anestesia local, exceto suínos neonatos.No caso da utilização de "burdizzo" em ruminantes, deve-se proceder a anestesia local prévia. |
| Orquiectomia | Equinos | Realizar em animais jovens.Utilizar antibióticos e analgésicos profiláticos. | Utilização de sedação e anestesia local |
| Epididectomia parcial ou vasectomia | Ruminantes | Realizar em animais jovens.Utilizar antibióticos e analgésicos profiláticos. | Utilização de anestesia local |
| Ressecção do cordão espermático (funiculite) | Equinos | Realização em sala cirurgica. Utilização de antibioticos e analgésicos | Sedação seguida por anestesia local ou geral. |
| Descoma | Ruminantes | Realizar até dois meses de idade. Caso seja realizada em adultos, deve-se utilizar antibióticos e analgésicos | Até seis meses, deve-se utilizar anestesia local. Acima de seis meses, deve-se utilizar sedação e anestesia local. |
| Tecnicas para rufião | Ruminantes | Preferencialmente utilizar vasectomia ou Epididectomia parcial. Deve-se evitar desvio lateral do pênis e fixação da flexura sigmóide. Utilização de antibioticos e analgésicos. | Sedação seguida por anestesia local. |
| Vulvoplastia e reconstituição de períneo | Equinos | Sedação. Utilização de antibióticos e analgésicos. | Anestesia local. |
| Vulvoplastia e rexonstituição de períneo | Bovinos | Utilização de antibióticos e analgésicos | Anestesia local. |
| Ovariectomia | Equinos e Ruminantes | Realizar apenas em situações patológicas.Evitar o método transvaginal.Utilização de antibióticos e analgésicos. | Sedação seguida de anestesia local. |
| Cesariana | Ruminantes e Suinos | Sedação. Utilização de antibioticos e analgésicos. | Anestesia local. |
| Cesariana | Equinos | Reutilização em centro cirurgico. Utilização de antibióticos e analgésicos. | Sedação. Anestesia local ou geral. |
| Uretrostomia ou uretrotomia | Ruminantes | Sedação. Utilização de antibióticos e analgésicos. | Anestesia local |
| Enucleação do globo ocular | Todas as espécies | Sedação. Utilização de antibióticos e analgésicos. | Anestesia local. |
| Neurectomia | Equinos | Realização em centro cirurgico. Utilização de antibióticos e analgésicos. | Sedação seguida de anestesia local ou geral. |
| Amputação de dígito | Ruminantes | Sedação. Utilização de antibióticos e analgésicos. | Anestesia local. |
| Suturas | Todas as espécies | Sedação. Utilização de antibióticos e analgésicos. | Anestesia local |
| Laparotomia pelo flanco | Ruminantes e equinos | Sedação. Utilização de antibióticos e analgésicos. | Anestesia local. |
| Herniorrafia | Ruminantes e suinos | Sedação. Utilização de antibióticos e analgésicos. | Anestesia local. |
| Herniorrafia | Equinos | Realizar em centro cirurgico. Utilização de antibióticos e analgésicos. | Sedação seguida de anestesia geral ou local. |
| * Entende-se por anestesia local as seguintes modalidades: tópica, infiltrativa, perineural, espinhal e intravenosa (Bier), as quais devem ser aplicadas conforme suas indicações. |
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