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"Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão, jacaré não é crocodilo, roubaram meu patinete!!!"
Por Marcelo Pavlenco Rocha, Presidente SOS Fauna
Ora bolas, vocês devem estar imaginando que a frase acima não faz sentido algum. Há na frase um regresso aos nossos tempos de criança quando recitava-mos tal versinho mas... algo ai está diferente, não é mesmo? Vocês devem estar se questionando por que o Marcelo da SOS Fauna, que trabalha com vida silvestre estaria fazendo? Resolveu virar poeta?
É algo de fácil entendimento, mas de difícil compreensão.
Vejam as situações abaixo:
- Você comprou um belo carro, ainda não colocou no seguro ou então nem irá colocar. Está muito feliz com seu novo automóvel. Passeando pela cidade onde mora e respeitador das as leis de trânsito que você é, o semáforo se fecha, está vermelho, você para e começa a aguardar o verde, que deve demorar cerca de um minuto. Dez, vinte segundos se passam e eis que, para sua surpresa, um veículo com o motorista totalmente sem atenção bate em sua traseira e destrói parcialmente seu porta malas. Meu Deus, e agora? O que você vai fazer? No mínimo exigir que o motorista que bateu em seu veículo pague pelo prejuízo, mesmo que para isso tenham que ir aos Tribunais, Juizados Especiais...., correto? Óbvio que sim.
- Você foi ao supermercado e acabou comprando aquele DVD que tanto queria, puxa vida, você esperou cerca de três meses para adquirir tal equipamento. No fim de semana, começa a assistir os filmes que alugou (nada de comprar DVDs piratas, hein?). Eis que na metade do primeiro filme, por defeito de fábrica no equipamento, o mesmo acaba tendo uma séria pane e começa a pegar fogo, foi tudo tão rápido que inclusive danificou até mesmo o gabinete de seu televisor e o aparelho de som que estava ao lado, você foi tentar desligar e ainda levou um choque e se queimou, não era mesmo seu dia de sorte!!! O que levou seu DVD a apresentar este problema, após perícia técnica foi, sem sombra de dúvidas, um defeito de fabricação. Nada mais JUSTO do que a fábrica lhe indenizar, no mínimo cobrir os seus prejuízos.
- Dia do seu pagamento, novamente você retorna ao supermercado, mas agora é para fazer algumas "comprinhas", repor o que está faltando em casa, café, açúcar, coador de café, sucos em geral... e alguns produtos de limpeza, mas quando você chega ao corredor dos produtos de limpeza, uma funcionária da loja limpa o chão, havia caído uma caixa de um limpador instantâneo, desses muito comercializados por ai, porém não houve por parte do supermercado o cuidado de sinalizar o local com aquelas "plaquinhas" do tipo PISO MOLHADO... e, você, meio que com pressa, passa pelo local e não observa aquela imensa quantidade de produto derramada pelo chão. Você escorrega e cai, estava tão azarado que ainda bate a cabeça na prateleira e ao apoiar-se em seu cotovelo, quebra o braço! Mas que fatalidade não é mesmo??? Quem pagará pelos danos físicos que você sofreu? O supermercado, é claro!!!
E se nos três casos citados acima a Justiça determinasse que:
- Quem bateu no seu carro deve doar cestas básicas à creche que fica próximo do local do acidente.
- Que a fábrica de DVDs plante árvores em uma praça que está carente das mesmas.
- Que o supermercado deve realizar um mutirão de limpeza para restaurar um muro que foi pichado no centro da cidade.
Mas parece haver algo errado em tudo isso, os culpados pagam pelo crime, mas em nenhum caso o beneficiário é você, que é a vítima.
Seria normal ocorrer desta forma?
Não deveria, mas para algumas vítimas - vítimas estas que nos Tribunais são as únicas que podemos ter certeza de sua inocência, mesmo sem ouvi-las ou realizar qualquer investigação - isso ocorre sim, e de maneira absolutamente normal, pois a elas falta advogado de defesa, falta sensibilidade, falta tudo... para avaliar o problema de cada uma delas por quem julga. Isso não é genérico, mas chega próximo de ser.
Estou falando dos ANIMAIS DA FAUNA SILVESTRE BRASILEIRA que, vítimas do tráfico, têm como "compensação" pelo crime cometido - não somente aos indivíduos mas a todo um ecossistema, ecossistema este que é necessário à própria condição de existência do ser humano sobre a Terra - o encaminhamento à criadores autorizados, à morte, ou seja lá o que for. O CRIMINOSO nestes casos, em inúmeras vezes, paga seu crime doando cestas básicas à comunidade ou prestando serviços em instituções públicas ou de cunho social.
Perceberam agora o sentido da frase acima?
UMA COISA NÃO TEM NADA A VER COM A OUTRA!
Com lamento,
Marcelo Pavlenco Rocha
www.sosfauna.org















